• O Inferno

O Inferno

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N'este memoravel anno de 1871, o sacerdocio militante da christandade lusitana subiu aos baluartes mais desamparados, aos pulpitos de grande parte do reino, e desembestou certeiras frechadas ao rosto da impiedade. No pulpito da egreja de S. Martinho de Cedofeita, d'esta cidade do Porto, -que nao e a mais peccadora, porque e a menos ociosa, -discorreu apostolicamente um padre italiano, que eu nao ouvi. Nao fui ouvil-o, porque ja tenho muitissimos annos e bastante leitura para conhecer que direitos tem Deus e o proximo ao meu amor. Nao o fui ouvir pela mesma razao que evito alguns livros prohibidos, receoso de que elles estremecam os alicerces da minha fe. Nao fui ouvil-o, emfim, porque ha um sermao que eu sei de cor, e repito quando tenho sede de fe, ancias de misericordia, tibiezas de esperanca: e o sermao da montanha, pregado aos pobres por nosso Senhor Jesus Christo. Este sermao ainda meus filhos o nao sabem; mas hao de aprendel-o quando as primeiras lagrimas lhes tiverem delido as manchas escuras do intendimento. E preciso ter chorado para comprehender a bem-aventuranca dos que choram. Jesus Christo, se houvesse dito aquellas divinas palavras aos felizes, nao seria intendido no apostolado, nem seguido na vida, nem chorado na morte, nem confessado no martyrio."
Publisher Weling Library

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